O Natal e Reveillon se aproximam e junto com ele os pensamentos, sentimentos, tristezas e alegrias, lembranças.
Sempre foi uma festa que eu curtia, tenho lembranças fenomenais dessa época e vou citá-las, essas lembranças são recorrentes em minha mente e por isso são tão importantes.
Lembro de:
- menina ainda, Tia Elsa e Tio Humberto(que na época moravam em São Paulo e são meus padrinhos), dormindo na sala de TV. Me recordo dela me abraçando e acarinhando, era tarde já, e eu queria ver os presentes, e ela me dizia... tem que esperar, tem que dormir, só amanhã de manhã você. vai ver os presentes, e eu inconformada, mas tendo que aceitar, indo deitar. A lembrança é tão forte que lembro até da camisola que ela usava, eu devia ter na época uns 8 anos.
- do Natal que passamos em Bagé, na chácara da Tia Izinha, foi o ultimo natal com a família toda da minha mãe reunida, pois estavamos nos mudando para o Rio de Janeiro. Era uma casa relativamente simples, mas bem confortável, lembro do toca fitas de rolo do Tio Luiz tocando as músicas de Joan Baez (muito gostosas), de todos os meus tios, mulheres e maridos alegres e brincando uns com os outros, tudo observado pela minha Avó, orgulhosa de cada um de seus filhos. Do almoço de natal (dia 25), era uma mesa grande, todos reunidos, lembro-me como se fosse hoje, tinha frango de almoço, cortado em pedaços... coxas.. sobrecoxas e por aí vai(talvez lembre com detalhe do almoço, pois não gosto muito de frango kkk). Meus primos todos reunidos desde o mais velho que na época devia ter uns 17 (Susana) até o mais novo que tinha 2 aninhos mais ou menos(Fábio), Renata ainda na barriga e naquela época não sabiamos ainda que seria uma menina. Tio Celso, na época, não carregava seu violão, mas mesmo assim me recordo dele e Susana tocando (ora um, ora outro) e minha mãe cantando junto com eles... como era bom, que saudade. Tinha 13 anos nessa época.
- das caminhadas que nunca tinham fim com minha mãe fazendo compras e mais compras. Saíamos com uma lista de pessoas e iamos comprando, comprando, comprando... kkkkkkkk coisa que não se imagina hoje não é mesmo! Naquela época cada um ganhava um monte de presentes, hoje nos concentramos nas crianças (isso já no Rio), andavamos a Av. Copacabana do começo ao fim (já aguentei em alguma época).
- No Rio os Natais eram sempre feitos na casa da Tia Elsa, era uma farra, nós ainda jovens com namorados e namoradas, nos dividindo para não magoar nenhum lado das familias, e nossas mães (Elza e Zita) trabalhando nas comidas, sempre deliciosas. Tia Elsa sempre recebeu muito bem, assim como minha mãe.
Lembro da torta Marta Rocha... choro só de lembrar, de tanto que adorava, minha mãe sempre fazia.
(Aqui vai um adendo, só para dar água na boca. A Torta Marta Rocha é composta de 1 disco de pão de ló, 1 disco de suspiro, 1 disco de pão de ló de chocolate, isso tudo entremeado de chantily, numa divisão de discos, e doce de ovos com nozes na outra divisão, tudo coberto com mashmelow. Deu para babar?). As vezes mamãe fazia a torta de coco, também deliciosa. Nesta fase já estava entre 14 e 21 anos
- Aos 22 me casei e mudei para Santos. Quantas vezes passamos o Natal e até mesmo o reveillon na estrada, indo para o Rio, até nossas filhas nascerem.
- Aos 29 fui mãe pela primeira vez e daí para a frente os natais começaram a ter um significado especial, era uma farra comprar presentes para elas, e já então, para nossos sobrinhos. O Natal era bom demais, os 5, Rafael, Felipe, Júlia, Verônica e Virginia, era maravilhoso ver a carinha de cada um deles esperando o presente, loucos para abrir e começar a brincar. As fotos dessa época ilustram muito bem a alegria dos 5 juntos. Os natais já não eram comemorados junto com Tia Elsa, pois assim como minha mãe, ela também tem 4 filhos, imagine, cada um deles casado e com filhos, seria uma loucura. Mamãe se incumbia da comida para todos os filhos, noras, genro e netos, como ela ficava feliz. Papai se divertia com as crianças e com a alegria que eles traziam para a casa dele, só não gostava na hora do Jornal, pois a bagunça não o deixava ouvir e ver kkk.
- nossos filhos cresceram, meus pais morreram e a reunião dos irmãos nunca mais aconteceu, então os natais ficaram tristes, desanimados, acho mesmo que o problema era meu, internamente, não via mais alegria, não tinha mais ânimo, para mim passou a ser uma festa triste.
-Como sempre digo, Deus é perfeito e sempre nos traz algo para compensar as dores e disabores da vida. Ele nos mandou Beatriz (minha neta) e agora me vejo sempre fazendo planos, vendo presentes, querendo deixar a casa e tudo mais lindo para comemorarmos com ela, seu olhar e alegria são o maior motivo de eu ter voltado a gostar dos natais.
Enfim... coloquei aqui as coisas mais marcantes dessa época na minha vida, revendo o que escrevi chego a conclusão de que, para mim, Natal é igual a criança, eles são os principais "atores" para que essa festa seja perfeita e feliz.
Então a todos que amo, a todos que foram citados e os que não foram também um Natal perfeito, repleto de alegria, paz, harmonia, e principalmente cheio de gratidão por cada ser que faz parte de nossas histórias, presentes ou não.
bjo, bjo.